A Crueldade do Limbo.
Esse texto, busca tentar explicar essa palavra tão maldosa que muitos usaram e ainda usam para controle psicológico.
Primeiramente, é importante deixar claro que o LIMBO não surgiu exatamente com a Igreja Católica, como muitos pensam. Sua origem remonta a teorias teológicas do início da Idade Média, especialmente com os teólogos Pedro Abelardo e Tomás de Aquino, que tentavam resolver um dilema: o que aconteceria com as almas das crianças que morriam sem batismo? No entanto, foi a Igreja Católica quem mais se beneficiou desse conceito, atordoando muitos fiéis e criando uma crença popular que ainda perdura entre os mais velhos, especialmente em países de tradição católica como o Brasil, Itália e Filipinas.
O Limbo é, em teoria, um lugar entre o Céu e o Inferno, uma espécie de “estado intermediário” ou “orla” (do latim limbus). Para lá seriam enviadas crianças que nunca foram batizadas, mas que permanecem com o chamado “pecado original” (herdado da desobediência de Adão e Eva, ou seja, um nascimento que já vem com o pecado, para ser mais direto). Ao contrário do Inferno, o Limbo não teria fogo ou tortura, apenas a ausência da visão beatífica de Deus — uma felicidade incompleta, segundo os teólogos.
Agora, pensem comigo: quão cruel é isso? Quando uma família passa por uma tragédia com uma criança, um aborto espontâneo, uma morte precoce ou um natimorto e esse conceito é implantado em seu pensamento, o sofrimento se multiplica. Quer dizer que uma criança, por não ter recebido um ritual, não merece a graça de Deus? Onde fica a misericórdia divina?

Infelizmente, muitos usam desse artifício para forçar uma aceitação quase imediata da doutrina religiosa. É como apontar uma arma para a sua cabeça, mas você precisa entender que essa arma não tem balas, ela está ali apenas para meter medo. Esse mecanismo de controle pelo medo não é exclusivo do catolicismo; vemos algo parecido no Inferno islâmico (Jahannam), no castigo do Preta (espíritos famintos) no budismo, ou mesmo no conceito de exclusão nas igrejas protestantes mais radicais.
Sabe, existem outros conceitos sobre o Limbo. Claro que ele não se refere somente a crianças, alguns teólogos especulavam sobre o “Limbo dos Patriarcas” (onde os justos do Antigo Testamento aguardavam a redenção) e o “Limbo dos Infiéis”. Mas é sem dúvida a parte mais sensível desse tema: crianças sem batismo. Há várias interpretações em diferentes religiões e, sabe de uma coisa? Todas elas têm o mesmo objetivo: meter medo para fazer você seguir as regras da doutrina. E isso, meus caros leitores, é crueldade.
Hoje em dia, essa afirmação do Limbo perdeu força. Em 2005, o Papa Bento XVI, então cardeal Ratzinger, já sinalizava que o Limbo não era uma verdade de fé. Em 2007, a Comissão Teológica Internacional do Vaticano publicou um documento oficial chamado “A Esperança de Salvação para Crianças que Morrem sem Batismo”, no qual afirma que há razões para esperar que essas crianças sejam salvas pela misericórdia de Deus, sem necessidade do Limbo. Até alguns religiosos admitem abertamente que o Limbo foi um equívoco histórico. Mas sabe quando você fala algo, mas não fala com tanta certeza, porque cresceu e foi ensinado sobre aquilo? Esse é o drama de muitas famílias e até de padres idosos.
Certamente, antigamente a visão era muito mais radical: catecismos antigos ensinavam como verdade absoluta que crianças não batizadas vagariam eternamente no Limbo. Mas o objetivo principal deste texto é fazer você entender que não se deve acreditar em tudo. A missão de encontrar Deus (ou o que quer que isso signifique para você) é só nossa. E, se por ventura passarmos por esse tipo de situação, entendermos que Deus existe e tem um plano para cada um de nós, que tudo tem um motivo e que devemos, acima de tudo, ser fortes, esse pensamento ridículo perde força.
Jamais dê ouvidos a uma pessoa que tenta dizer o que é o destino final. Ninguém sabe. É uma jornada solo. Se vamos cedo ou tarde desta terra, não cabe ao ser humano criar locais espirituais e decidir para onde cada um foi. A morte é um dos maiores mistérios da existência; qualquer tentativa de mapeá-la com certeza costuma servir mais a interesses humanos do que à verdade divina.
No fim, o Limbo é apenas mais uma criação da humanidade para ter controle sobre o outro. Uma ferramenta teológica que causou sofrimento real por séculos, mas que hoje, aos poucos, está sendo colocada no lugar que sempre deveria ter ocupado: o de uma teoria ultrapassada, não o de uma sentença eterna.
Idealizado por J. Figueiredo.
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